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| por marta marques |
As cores não estão de acordo comigo, nem as texturas, nem os
cheiros, nem os olhares que tropeçam nas minhas lágrimas. Momentos, fases,
idade, seja o que for, o que interessa é o que é. Se escolher viver o momento e
é mau que seja. Não dá para raciocinar positivo quando nos sentimos
prejudiciais nem para fingir que os pensamento que ferem estão protegidos por
pensos rápidos. As feridas saram, sim, podemos confirmar, contêm se, adormecem,
mas basta uma raspadela, um toque e despertam. Pior do que tudo, acordam com remelas,
não se sentem bem, não se veem bem porém, estão acordadas.
Incomoda. Cheira mal. Não encontro desinfectante nem sabão
que as torne, ao menos, mais asseias. Criam peso. Inventam cola. Deitam pus.
Disfarço o meu corpo encontrando me com outro corpo. Não sei se este tem
pensamentos podres sem possível reciclagem, não há prosas sobre isso. As
conversas são alimentadas de néctar tinto e fluem por atalhos mais simpáticos.
Nascem gargalhadas desembaraçadas e os corpos ganham vontade. Vontade de se experimentarem,
nutrirem dos seus cheiros, de uma viável química. Afortunadamente respira se
química, funciona como um analgésico, um relaxante. Aconchega os medos. Os
corpos derretem e escorregam na vontade, dão se. O coração cresce e dá passos
maiores, os olhares sentem voluntariedade em cruzar e envolverem se.
As estrelas descem até aos corpos e iluminam os. A noite já
não mete medo.
Encaixamos sem atrito, sem apreensão, sem pareceres.
Finalmente o momento.
O meu corpo abre como as pétalas recebem o Sol, gosto do ato
da largada das defesas, da ultima inspiração, do ofegar empático dos corpos.
Conexão honesta, desfrutação, entrega.
Vazio. De volta as memórias.
Silêncio. Dor. Habituação. Dormência.
