| por marta marques |
Adeus, palavra emotiva e obstruída de
expectativas tristes
Tristeza ou saudade, palavras distintas aliadas tantas vezes
Esta despedida acontece com desígnio de desapego
todavia com a certeza de deixar
saudade
Encontramo-nos no Motel de sempre, mesmo quarto, na cama redonda onde sempre degustamos dormir após o sexo
estoirados, suados e felizes
Dois amantes que ininterruptamente dormiram colados
Dois amantes que ininterruptamente dormiram colados
Os espelhos do tecto refletem as ocasiões mais selvagens
a música romântica a parte mais pirosa
que
estranhamente
nos comoveu de hora em quando
No jacuzzi
onde roubamos litros de água
egoisticamente ao planeta
souberam-nos aos melhores momentos de
silêncio
O varão à frente do leito
as luzes com cheiro a cabaré
os acessórios disponíveis e o champanhe
rasca
exultaram perduravelmente os instantes
Dois anos de álibis
jogos escondidos
arrasaram a minha sanidade mental
Eduardo mais frio
Acentua-lha a masculinidade haver a mulher
e a outra
EU
Fui fiel àquela infidelidade tendo
outros casos de cama
com o intuito de encher o ego
e menti-me, como que se Eduardo fosse
somente um capricho
A despedida não foi aceite mas
respeitada
Quiçá ele não acreditasse na despedida
porém teve a prova ao olhar-me nas vistas
Senti-lhe a tensão e, porque não, fragilidade
Restavam-nos duas noites
Depois
depois o motel afundar-se-ia na humidade
de Sintra
Senti-lhe na língua toda a
testosterona
Palavras doces sussurradas e misturadas
com outras
porcas
promoveram um peito vivo
um contorcer do corpo
Lambeu-me a vagina com uma cobiça
voraz
Socorri-me dos lençóis
Segurei-me firmemente neles a fim de
não me vir
Permutamos posições
enchi-me dele
a minha boca mais elástica e a língua
tal serpente
sedutora aos seus olhos
toques certeiros que o desconcertavam
Beijámo-nos até ficar de face
escoriada
A cama redonda transformou-nos nos
ponteiros de um relógio
e funcionou sem clemência durante 48
horas
A penetração aconteceu nas várias
oportunidades
a minha vulva
já tão assada nem sentia dor
vibrava
O cheiro intenso e afrodisíaco
Palmadas traseiras transvertidas em
rédeas aceleram o pináculo
Fumei 5 cigarros
Não me lembro de comer, beber, sair da
cama
Emagrecemos ali escorregados em
fluídos
O relógio parou
De mãos dadas olhamo-nos cadavéricos pelo
espelho
Apeteceu-me morrer ali
Desidratada
E a cama onde durante dois anos bebemos
amor
Era agora um deserto