sexta-feira, 22 de agosto de 2014

( TEXTO PARA MAIORES DE 18) Despedida


por marta marques

Adeus, palavra emotiva e obstruída de expectativas tristes

Tristeza ou saudade, palavras distintas aliadas tantas vezes

Esta despedida acontece com desígnio de desapego
todavia com a certeza de deixar saudade

Encontramo-nos no Motel de sempre, mesmo quarto, na cama redonda onde sempre degustamos dormir após o sexo 
estoirados, suados e felizes

Dois amantes que ininterruptamente dormiram colados

Os espelhos do tecto refletem as ocasiões mais selvagens
a música romântica a parte mais pirosa que
estranhamente
nos comoveu de hora em quando

No jacuzzi
onde roubamos litros de água egoisticamente ao planeta
souberam-nos aos melhores momentos de silêncio
O varão à frente do leito
as luzes com cheiro a cabaré
os acessórios disponíveis e o champanhe rasca
exultaram perduravelmente os instantes

Dois anos de álibis
jogos escondidos
arrasaram a minha sanidade mental

Eduardo mais frio
Acentua-lha a masculinidade haver a mulher e a outra
EU

Fui fiel àquela infidelidade tendo outros casos de cama
com o intuito de encher o ego
e menti-me, como que se Eduardo fosse somente um capricho

A despedida não foi aceite mas respeitada
Quiçá ele não acreditasse na despedida
porém teve a prova ao olhar-me nas vistas
Senti-lhe a tensão e, porque não, fragilidade

Restavam-nos duas noites
Depois
depois o motel afundar-se-ia na humidade de Sintra

Senti-lhe na língua toda a testosterona
Palavras doces sussurradas e misturadas com outras
porcas
promoveram um peito vivo
um contorcer do corpo
Lambeu-me a vagina com uma cobiça voraz
Socorri-me dos lençóis
Segurei-me firmemente neles a fim de não me vir
Permutamos posições
enchi-me dele
a minha boca mais elástica e a língua tal serpente
sedutora aos seus olhos
toques certeiros que o desconcertavam
Beijámo-nos até ficar de face escoriada

A cama redonda transformou-nos nos ponteiros de um relógio
e funcionou sem clemência durante 48 horas
A penetração aconteceu nas várias oportunidades
a minha vulva
já tão assada nem sentia dor
vibrava
O cheiro intenso e afrodisíaco
Palmadas traseiras transvertidas em rédeas aceleram o pináculo

Fumei 5 cigarros
Não me lembro de comer, beber, sair da cama
Emagrecemos ali escorregados em fluídos

O relógio parou
De mãos dadas olhamo-nos cadavéricos pelo espelho
Apeteceu-me morrer ali
Desidratada

E a cama onde durante dois anos bebemos amor
Era agora um deserto