| por marta marques |
Disse-lhe o nome porém não acreditou. Tornei a dizer-lhe mas
não ouviu. Virou as costas, inverteu o rumo e foi. Insisti. Gritei-lhe o nome, o
eco atacou-o pela retaguarda contudo fingiu não o sentir. Não quis saber e
seguiu. Fingiu não querer, mentiu-se. Corri, segurei e olhei-o nos olhos
tentando falar-lhe através da alma. Pestanejou, o seu espírito sabia que eu não
mentia. Conquanto ocorreram crenças e medos que o desligaram do âmago e
persistiram na realidade convenientemente criada. Foi aí que aferrolhei os
olhos e entreguei-me à desistência, majestaticamente torna tudo bem mais fácil.
Fácil fingir, principalmente quando temos um cúmplice. Dei-lhe a mão e esmigalhamo-nos
num abraço deixando o tempo perder-se no tempo e permitindo a mentira.
E o silêncio pairou, repousou pelos nossos ombros e
escorregou nos nossos corações. E a paz voltou porque nasceu uma sintonia. A
sintonia da fabulação. No mesmo ritmo coramos pela conivência e seguimos aquele
caminho. O nome enterramos nas vísceras, embora saiba ser uma semente de onde
nascerá veneno que intoxicará o meu corpo até à extinção. Escolhi viver o agora
sem nome. Afinal, um nome é apenas um nome.