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| por marta marques |
O silêncio.
O teu cheiro, a tua energia, tu. As
tuas asas a envolverem o meu corpo frágil, olhos fechados, as tuas costas a
navegarem para junto das minhas, a fim de fundirem-se através do meu peito, em
mim.
Corações sintonizados, batucam com
vida, num ritmo coincidente e exclusivo. Tocam a nossa música.
Somos nós.
O nosso abraço, aquele abraço, o
tal abraço. Um aperto que sabe bem e não apetece desapertar, faz-nos ser um, inspirar
e expirar ao mesmo ritmo, falar sem voz, dar e receber num equilíbrio. Não há
cobranças, não há desgaste, não há cansaço, fica-se nutrido.
O meu corpo sorri,
o teu corpo ri, a minha pele apropria-se da tua, o ar que escapa entre os dois
corpos ao pouco é preenchido sem temor de perder oxigénio, tal qual um encaixe irrepreensível.
Não sei quanto tempo duram os
abraços. Os abraços não tem tempo, é outro tempo. Não podemos falar do tempo das
coisas que têm um tempo diferente daquele tempo a que estamos habituados a
falar.
O abraço é o momento, não tem
pressa, não tem coisas por resolver, está ali, somente sente.
É uma emoção física.
Acho que ficaria assim até transformarmo-nos
numa estátua, esverdeados pela humidade e sem movimento. Uma representação que
não deixaria indiferença. Fácil seria encontrar nos seus traços a verdade, a
vontade, a entrega, a beleza, a poesia do amor.
Amar. Sempre te amei. Acho que
nasci a amar-te. Jamais deixarei de te amar. Aquele abraço foi porventura o
último. Hoje choro aquele abraço. Apego-me a este como desabafo. Saudade.
Saudade de te abraçar.
Saudade de poder amar-te num abraço
