sexta-feira, 27 de junho de 2014

Jamaica

jamaica/ por marta marques


As montanhas emocionam com a virgindade oferecida, gelam a respiração e fazem-me querer voltar. Já regressei por isso algumas vezes, porque aqui apaixono-me todos os dias. O mar continuamente sedutor, o calor que nos abraça, as estrelas que se tornam íntimas, o som da noite, sinistro quanto divertido e os magistrais beija-flores. O humor mal humorado dos indígenas não é para todos os gostos bem como a erva que fumam incansavelmente. Contudo, o reggae parece ser dos sons mais amados e não obriga a coreografias. O sabor distinto a picante na comida e o café estranhamente deleitável. Sinto-me tão encaixada que pondero não retornar a Lisboa. Mais uma vez, a quinzena sabe a pouco, há muita ilha por descobrir, aventuras para gozar. Porém aquela noite superou tudo. Tão quimérica que receio deixar fugir, guardo-a firmemente na memória curta que tenho. Naquela noite conheci a Lagoa Luminosa, num barco de pesca velho. Sentenciei ir ao engano, ter gasto dinheiro numa daquelas excursões patetas, mas fui na mesma. A lua exibia-se cheia e nós no meio de uma lagoa escura, onde o céu negro se misturava com a água negra e com os pescadores negros. Bebiam rum e falavam estridentemente num inglês arranhado. A reação entre os turistas era a mesma. “Vamos mergulhar? Haverá crocodilos? A água está fria?”. Os rastafáris não deram explicações. Assim, saltei. A água era quente, fácil de nadar, parecia que boiávamos gratuitamente. Aquela experiência à luz das estrelas já era suficientemente boa e valia o dinheiro gasto. Até aperceber-me do lugar onde estava. Todos e quaisquer movimentos que fazia na água produziam rastos luminosos. A água estava efectivamente luminosa com os movimentos do meu corpo, como se as estrelas tivessem também mergulhado.

A beleza inexplicável fez daquele momento o mais mágico que vivi.